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  • Sérgio M. Botelho Júnior

Renomado psiquiatra defende mais estudos sobre a maconha medicinal



Em entrevista concedida aos jornalistas Abreu e Fábio Dutra, da Poder, o professor titular de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e estudioso do cérebro humano, Valentim Gentil Filho, defendeu a realização de mais estudos ante a liberação de produtos a base da cannabis para o tratamento de epilepsias e autismo.


“É preciso comprovar, de fato, que essas substâncias são melhores ou igualmente eficazes às alternativas existentes, e, para além, que não ofereçam nenhum tipo de risco”, ressalta. “Em vez de nos preocuparmos com a prevenção de danos, estamos expostos à mais ampla promoção do uso de substâncias psicoativas da história”, completou.


O alerta dado pelo psiquiatra e corroborado pelo Ministro da Cidadania, Osmar Terra, foi dado meses antes da liberação da venda de produtos a base do canabidiol em farmácias e drogarias. Ele foi emitido por meio do artigo divulgado na revista Veja intitulado “Precisamos falar sobre a maconha”.


Naquela oportunidade, ele apresentou dados de um trabalho publicado em 2012 no Proceedings of the National Academy of Sciences, que mostrou que o uso da planta resulta em redução de oito pontos no Q.I. de usuários entre os 18 e os 38 anos. Já à PODER, ele destacou a existência que os relatos de deterioração mental pelo uso da maconha existem desde o século 19 e, no início do século 20, chegou-se a falar de “psicose canábica”.


“Nem todos desenvolvem psicose. Há pessoas mais vulneráveis. Quanto maior o uso, maior a probabilidade de desenvolvimento da doença”, diz. “A pergunta que eu faço é: Quanto tempo vamos levar para alertar a sociedade sobre os riscos que a geração atual de jovens está correndo?” Riscos que, ele lembra, não precisam ser ilícitos, já que de forma geral há um abuso de limites diante das expectativas contemporâneas. “O burnout [ou síndrome do esgotamento profissional] é uma dessas coisas, o esgotamento físico e mental intenso. Nós vamos viver até os 100 anos, mas é importante dizer que se não cuidarmos da máquina ela não vai aguentar.”


Para o psiquiatra, neste debate da psicose ainda há um problema mais grave e que exige maior atenção que é o da população em situação de rua. Segundo ele, esse problema merece atenção, porque as vulnerabilidades das ruas são ainda maiores devido à falta de apoio. “Na rua você está na linha de frente do perigo e exposto a substâncias e situações que aumentam o risco de psicose”, explica.


Cabe destacar que o Governo Bolsonaro, visando cuidar daqueles que sofrem com o flagelo das drogas, instituiu a nova Política Nacional Sobre Drogas, que entre outras coisas aumenta o leque de oportunidades para o tratamento e reinserção social daqueles que de alguma forma sofrem com as drogas.


Por Sérgio Botêlho Júnior

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