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  • Sérgio M. Botelho Júnior

Para salvar vidas, Osmar Terra volta a defender a não legalização da maconha

Diante do julgamento da descriminalização da 'Cannabis' na área medicinal, ainda neste semestre, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), o médico e Ministro da Cidadania, Osmar Terra, voltou a defender sua posição contrária ao ato. O reforço de Terra ocorreu em uma entrevista divulgada pela Veja, na última sexta-feira, 02.


Na ocasião, Terra afirmou que o STF está se propondo a um debate que pode gerar graves consequências para a sociedade brasileira que, segundo ele, já vive uma verdadeira epidemia de drogas. Uma vez que um em cada quatro brasileiros têm um parente que sofre com dependência química, segundo dados do Datafolha.


“A primeira coisa que a gente tem de considerar é que as drogas provocam uma doença no cérebro. O cérebro adoece para sempre. Temos 30 milhões de dependentes químicos do álcool e do tabaco e 8 milhões de dependentes de outras drogas. Se houver a legalização, a facilitação do acesso às drogas, esses 8 milhões vão passar dos 30 milhões em pouco tempo. Vamos chegar a 50 milhões de dependentes químicos ou até mais. Será uma tragédia para o Brasil”, argumentou o ministro.


Osmar ainda lembrou que a descriminalização da Cannabis contesta diversos pontos da nova Lei Sobre Drogas, sancionada no semestre passado pelo governo federal. “É muito grave o STF querer legislar em cima disso. Ele vai ser responsável pelos desdobramentos que serão causados na sociedade. Já conversei sobre isso com o Dias Toffoli (presidente do STF). Trata-­se de abrir um confronto totalmente desnecessário e assumir uma responsabilidade diante da sociedade, algo que nenhum país do mundo fez”, completou.

Mas a quem interessa descriminalizar o uso da Cannabis? De acordo com Osmar, a medida atenderia, sobretudo, os interesses dos liberais e da esquerda, que – segundo ele – entende que todo mundo tem o direito de fazer o que quiser com o corpo; os próprios dependentes químicos e o setor privado. “Hoje, a maior empresa do Brasil é a Ambev. Se houver a legalização, teremos a Ambev da maconha, a Maconhabras. Imagina a quantidade de gente que vai adoecer ao mesmo tempo e a epidemia que nós vamos ter? E olha que estamos falando só da maconha”, destacou.


Esta não foi a primeira vez que Osmar voltou a defender a criminalização da Cannabis em favor da vida. E é justamente pela vida que ele anunciou que um grupo de especialistas da Islândia está sendo trazido para o Brasil, para estudar a problemática das drogas e implantar uma política que apresente resultados como os obtidos na Suécia, que hoje fecha unidades prisionais por falta de criminosos. “Quando você reduz a oferta de drogas na rua, acaba o problema”, observa.


Mas a pobreza aliada à falta de oportunidade no mercado de trabalho também pode gerar índices de criminalidade. Por isso, o ministro anunciou que em outubro ou novembro deste ano, o governo federal vai lançar um pacote de medidas na área assistência. Uma vez que “o presidente tem como prioridade fazer a transferência de renda vinculada à geração de emprego”.


Não há impasse no governo federal


Diante da posição contrária de Osmar e da defesa da legalização para fins medicinais da Cannabis pelo General Villas Boas, setores da imprensa acabaram deixando transparecer que haveria um conflito dentro do novo governo federal neste assunto. Quando a verdade é que não há.


Não há impasse, porque tanto Osmar quanto Villas-Boas defendem que a Cannabis seja utilizada em laboratórios devidamente credenciados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para a produção de fármacos.


Por isso, o que ambos temem, na verdade, é que as pessoas possam plantar a maconha dentro de suas casas e utilizá-las no seio comunitário sob o argumento de ser medicinal. Tanto é que ambos não fazem uso da maconha, embora o general sofra com uma doença degenerativa que pode lhe tirar a fala.


Por Sérgio Botêlho Júnior