Buscar
  • Sérgio M. Botelho Júnior

Marcha das Famílias barra julgamento do STF sobre legalização das drogas no Brasil



No último domingo, 3, diversos grupos da sociedade brasileira participaram da Marcha das Famílias Contra as Drogas. A ação ocorreu em mais de 30 localidades país afora e buscou convencer o Supremo Tribunal Federal (STF) a não regulamentar o consumo de drogas no Brasil, no julgamento previsto para esta quarta-feira, 06 de novembro.


A ação foi registrada em mais de 70 cidades brasileiras e encerrou com o sentimento de dever cumprido. É que além da adesão dos diversos setores da sociedade, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Dias Toffoli, anunciou a retirada da pauta do julgamento que pode legalizar as drogas no país.


Apesar da medida, o julgamento referente às drogas, que já dispõe de três votos favoráveis à legalização, ainda será remarcado. Além disso, cabe destacar que o mencionado julgamento teve início ainda em 2015, quando a Defensoria Pública de São Paulo protocolou uma ação que quer eliminar da lei 11.343/2006, o artigo 28, que proíbe uso, porte, compartilhamento e armazenamento de drogas e plantação de maconha. O tema colocou o STF sob pressão e levou milhares de famílias às ruas neste domingo.


A Marcha Contra as Drogas


No Rio de Janeiro, a marcha se concentrou na praia de Copacabana. Lá, diversas entidades como Amor Exigente, Brasil Sem Drogas e a Pastoral da Sobriedade realizaram uma caminhada com diversas faixas dizendo sim a vida e não às drogas. Segundo Douglas Manassés, do Instituto Manassés, por lá, o movimento foi curto, mas pode ser considerado um sucesso.


“Temos muito trabalho pela frente e a nossa união será determinante para construirmos uma cidade mais justa e humana com oportunidade de recuperação para todos que sofrem com as consequências do uso das drogas”, acrescentou.


No nordeste, em especial no Maranhão e em Pernambuco, a Marcha foi realizada tanto na capital quando em alguns municípios interioranos. Por lá, houve a participação de instituições religiosas, famílias, crianças e pais que chegaram a dar o seu testemunho perante o flagelo das drogas.


Já em Brasília, o movimento se concentrou na Praça dos Três Poderes. Por lá, participaram o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o Ministro da Cidadania, Osmar Terra. Eles estiveram acompanhados de jovens que venceram a dependência química, além de pessoas como a Areolenes Nogueira, presidente do Instituto Crescer; Célia Regina, diretora da comunidade terapêutica Desafio Jovem de Brasília; e membros da ONG Salve a Si.


Aliás, foi da capital federal que o Ministro da Cidadania divulgou um pronunciamento a respeito da legalização das drogas no Brasil. Nele, Osmar Terra lembrou que as drogas são a principal causa da violência, do homicídio, do suicídio e de latrocínio, bem como acrescentou que o governo Jair Bolsonaro está fazendo o que pode para conter o avanço desta substância.


Contudo, ele ressaltou que, atualmente, há no Brasil um grande lobby que busca a legalização da maconha, sob o pretexto de que ela é mais leve que o álcool e que não faz mal. “Não acreditem nisso! A maconha é a droga que mais afeta os receptores cerebrais e que mais afeta a médio e longo prazo. A maconha é uma droga que desencadeia a Esquizofrenia, em jovens que jamais sofreriam com isso se não tivesse usado a maconha. A Esquizofrenia é incurável e as outras drogas vêm junto a partir disso. A maconha está em 87% do início do consumo de outras drogas, de drogas mais pesadas, segundo pesquisas da UNODC”, argumentou.


Além disso, o Ministro afirmou que a situação do Brasil em relação às drogas iria piorar muito se legalizarem as drogas. Uma vez que “Não existe nenhum país no mundo que diminuiu o número de pessoas doentes liberando droga”. Além disso, ele destacou que a maconha não é medicinal e que o canabidiol não pode ser utilizado como pretexto para legalizar o consumo de drogas no país. “Uma coisa é ter uma molécula que pode ser usada como remédio, e se comprovar o efeito, tem que ser usado e garantido o acesso à população; outra coisa é ter isso como desculpa para usar a droga”, observou.


Ainda em Brasília, junto ao grupo de manifestantes na Praça dos Três Poderes, o deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse que alguns parlamentares se sentem seduzidos a aprovarem a legalização das drogas. Entretanto, ele reiterou que o Governo Bolsonaro é contra tudo que venha prejudicar as vidas, acrescentando que o Governo Federal tem combatido o crime organizado.


“As FARCs tentam implantar o comunismo e têm como fonte de financiamento a cocaína, fazem parte do foro de São Paulo, que é o grupo que faz parte do PT. [...] eles pregam a demonização das igrejas, a destruição da família, o controle da internet e depois dizem que nós é que somos o perigo à democracia? Nós aqui não tocamos fogo em nenhum prédio, somos incapazes de quebrar uma janela, que estamos aqui, nesta manifestação, em família. Nós é que somos o perigo à democracia? Nós não podemos deixar eles ganharem essa narrativa".


Já em São Paulo, a Marcha Contras às Drogas se concentrou na Avenida Paulista. Lá, além dos movimentos parceiros a marcha e diversas famílias do estado, também esteve o Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro, que após avaliar de forma positiva toda a movimentação, usou as redes sociais para incentivar a realização de mais atos em favor da vida. Contudo, solicitou que os envolvidos invistam na publicidade.


“Sugiro que nos mantenhamos conectados pelos nossos grupos de WhatsApp ainda nos próximos dias. Esse momento pós-marcha imediato é muito importante. Vamos trabalhar para repercutirmos e divulgarmos na mídia e nas redes sociais a marcha e a nossa vitória, já que o STF retirou o julgamento da pauta”, disse o SENAPRED.


Por Sérgio Botêlho Júnior


©2019 por Imagine.Acredite