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  • Sérgio M. Botelho Júnior

Luci Rosendo, da Fazenda da Esperança, fala sobre os desafios na recuperação das mulheres


Em entrevista ao Portal Imagineacredite, Lucilene Rosendo, ou simplesmente Luci, uma das fundadoras da Fazenda da Esperança, falou sobre os desafios na recuperação de mulheres que sofrem com a dependência química. Segundo ela, o principal desafio a ser vencido é a falta de fé de que elas podem resgatar a própria dignidade.


“Quando a mulher sofre um abuso, ela se sente a pior pessoa do mundo. Ela se sente suja, pecadora, indigna e numa condição de que não pode mais se reerguer. Então o maior desafio é acreditar que pode ter uma vida digna de novo, que pode dar e receber o perdão da família, do agressor, de qualquer pessoas. E isso acontece porque a mulher se coloca nesta posição de maneira muito mais fácil”, destaca.


Ela também observou que a Fazenda da Esperança teve que mudar a sua política de acolhimento, de forma a permitir o acolhimento de mães e seus filhos, para fazer com que as mulheres conseguissem chegar ao final do processo de recuperação. “Inicialmente, a gente acolhia apenas as grávidas. Daí a gente foi vendo que o processo de recuperação não tinha muito sucesso para aquelas que tinham os filhos fora, porque o coração delas estavam lá com os filhos, naquela preocupação de quem ia cuidar”, relembra.


“Mas a partir do momento que nós começamos a aceitar também que ela viesse com os filhos, houve um salto de qualidade imensa na recuperação das mulheres dentro das Fazendas da Esperança. Porque realmente é uma diferença muito grande quando a mulher vem se recuperar e pode trazer seus filhos e tê-los ali naquele ambiente, como a Fazenda, um ambiente saudável, um ambiente de amor, de fraternidade, onde ela aprende a ser mãe de verdade, onde as crianças têm um tratamento para elas também. Então isso tranquiliza a mulher, tranquiliza a mãe e ela vai muito melhor para o seu período de recuperação, né, tem mais muito perseverança”, analisa.


Para receber as mães e seus filhos, Lucilene disse que houve uma adaptação nas unidades da Fazenda da Esperança, a qual teve que construir casas com quartos maiores, implantação de quartos para bebês, implantação de parquinhos, salas de atividades e brinquedotecas. “Toda vez que a gente vai construir uma Fazenda ou mesmo, por exemplo, até aqui na Fazenda mãe, a gente tá sempre tendo que fazer uma coisa nova, em vista das crianças”, ressalta.


A Fazenda e a pandemia


Durante a pandemia do novo coronavírus, a Fazenda da Esperança adotou uma série de cuidados para manter o distanciamento social e a higienização de seus acolhidos, que – por conta da dependência do álcool e do risco da ingestão do produto pelos acolhidos – foi realizada com água e sabão, além de um amplo trabalho de conscientização interna, baseado nos casos ocorridos Brasil afora.


Neste período pandêmico, a obra também acolheu e vem acolhendo mulheres em situação de rua. “Nós queremos amar Jesus em cada um deles. E esse slogan de “fica em casa” tem que servir para todo mundo, principalmente para aqueles que não têm casa. Então a gente tem que dar casa para quem não tem casa, acolhendo aqueles moradores de rua, para que eles possam ficar em casa”, diz Rosendo ao lembrar que todo o processo de acolhimento seguiram as normas estabelecidas pela Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania (Senapred/MC). Por isso, momentos de meditação passaram a ocorrer em ambientes mais arejados, e o número de pessoas por quarto diminuiu.


“Todos esses cuidados são para preservar a vida delas. Além disso, como resultado de todo esse cuidado e amor que 10 mulheres que viviam em situação de rua e que foram acolhidas neste momento de pandemia deram a luz em nossas unidades, e isso nos deixa muito feliz e mostra que estamos no caminho certo”, finaliza a co-fundadora da Fazenda da Esperança.


Por Sérgio Botêlho Júnior

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