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  • Sérgio M. Botelho Júnior

Fazenda da Esperança e Ministério da Defesa constroem unidade para recuperar militares

Quem pensa que o flagelo das drogas está longe dos quartéis generais do Exército, Marinha e Aeronáutica está redondamente enganado. Uma vez que este é um problema que tem se alastrados pelas unidades militares brasileiras e que seus comandantes não têm conseguido obter êxito na prevenção, no tratamento e na reinserção dos militares.


E foi pensando nisso que o Ministério da Defesa em parceria com a Fazenda da Esperança, considerada a maior comunidade terapêutica da América Latina, está construindo uma unidade para a recuperação dos integrantes das forças armadas que sofrem com a dependência química.


A unidade está sendo erguida em um antigo clube militar, localizado no município goiano de Luziânia. Lá, o Exército Brasileiro deslocou um pelotão para que fossem realizados os


serviços de limpeza, capinagem, e demolição de construções antigas que ofertam riscos para os que lá serão acolhidos.


Segundo Adalberto Calmon, presidente da Confederação Nacional das Comunidades Terapêuticas (Confenact) e membro da Fazenda da Esperança, a unidade contará com 10 casas, refeitórios, áreas de produção e de lazer, bem como capela para momentos de fé e reflexão.


“O alto comando das três forças armadas ver esse projeto como uma solução para os problemas que eles não conseguem lidar dentro do quartel. O problema da droga é muito grande e tem contaminado muitos militares e, realmente, eles têm muita esperança que essa parceria possa contribuir com a essa luta de muito tempo e querem logo ter essa unidade funcionando”, destacou Calmon.


Além disso, cabe destacar que a parceria Fazenda da Esperança e Ministério da Defesa é bem maior do que se pode pensar. É que devido somente à existência desse acordo, a Fazenda da Esperança, em contrapartida, colocou todas as suas comunidades terapêuticas à disposição dos militares. A ideia é que haja uma porta para todos os militares que sofrem Brasil afora.


“Se tiver algum militar em Manaus, por exemplo, necessitando de ajuda, recupera ele na fazenda de Manaus ou onde ele residir”, comemora Adalberto após lembrar a ideia de estender a parceria foi do Frei Hans Stapel Ofm, fundador da obra, durante uma visita realizada por membros do alto comando militar de Brasília-DF e representantes do Governo do Distrito Federal a fazenda mãe, sediada em Guaratinguetá-SP.


O presidente da Confenact ainda lembrou que a parceria é inédita na história das CTs do Brasil, uma vez que desconhece qualquer outra ideia parecida foram do país. “Não existe nada igual no Brasil. O que houve foram algumas parcerias com associações, a exemplo da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Manga-Larga, onde pudemos tratar os criadores, peões e fazendeiros que sofriam com algum tipo de dependência”, observa.


De onde surgiu a ideia de uma fazenda para militares?


De acordo com Adalberto a ideia, embora seja considerada uma grata surpresa, surgiu há alguns anos, quando o saudoso Dom Fernando Guimarães foi transferido da Diocese de Garanhuns para uma arquidiocese militar, localizada na capital federal de todos os brasileiros.


“Quando ele assumiu, se deparou com o problema da droga entre os membros das forças armadas, daí ele teve uma ideia. Ele tinha conhecimento, porque a situação estava sob o domínio dele e tinha um clube do Exército que está em nome do Ministério da Defesa, lá em Luziânia, que não estava mais sendo utilizado. Então ele resolveu convidar os três comandos das forças para conhecer as instalações da Fazenda da Esperança em Guarantinguetá.


Então em 2015, ele junto com uma comitiva das forças armadas e também de alguns membros do Governo do Distrito Federal foram até Guaratinguetá e foram recebidos pelo Frei Hans, eu, e todos os fundadores, e passaram o dia todo conhecendo as instalações da Fazenda da Esperança. E ai eles fizeram uma proposta: passar para a Fazenda da Esperança essa área do antigo clube, para que fosse construída uma unidade da fazenda da esperança para recuperar os membros das forças armadas”, relembra Calmon.


Com a abertura da ala militar, o projeto não tem previsão para ser concluído. Uma vez que também depende de recursos públicos. Contudo, cabe destacar que a inauguração de uma fazenda para militares ocorrerá num momento em que o Governo Federal, por meio da nova Política Nacional Sobre Drogas, reconheceu as comunidades terapêuticas como prestadoras de um serviço de excelência junto aos que sofrem com a dependência química.


Também é importante destacar que a Fazenda da Esperança possui diversas unidades voltadas para púbicos específicos, sendo seu tratamento baseado no Trabalho como processo pedagógico; a Convivência em família; e a Espiritualidade para encontrar o sentido da vida.


Por Sérgio Botêlho Júnior



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