Buscar
  • Sérgio M. Botelho Júnior

Confenact, dez anos de lutas e conquistas!

Atualizado: Out 3


A drogadição hoje faz parte de quase 5% das famílias brasileiras. Pode parecer pouco, mas não é. A dependência química é responsável pela destruição familiar e quando essas pessoas resolvem encontrar um novo destino longe das drogas, as Comunidades Terapêuticas exercem um papel fundamental de acolhimento, tratamento e a reinserção social. Por isso, a produção do portal e revista ImagineAcredite entrevistou o presidente da Confederação Nacional das Comunidades Terapêuticas no Brasil (Confenact), Adalberto Calmon, para falar sobre a relevância e os desafios encontrados nas CTs e a preocupação caso a nova PL 399/2015 seja aprovada.


Segundo Calmon, a rede de atenção psicossocial nas CTs começou há mais de 50 anos antes de qualquer política pública desenvolvida para ajudar o usuário de droga. Porém, quando surgiram essas iniciativas, as CTs não foram contempladas e essa realidade mudou apenas em 2011, quando “a Portaria do Ministério da Saúde 3.088/2011 inseriu as Comunidades Terapêuticas na rede de atenção psicossocial”, observa. Sendo assim, hoje existem mais de 2 mil CTs no país e acolhem mais de 60 mil pessoas, ou seja, “elas fazem uma diferença na rede que hoje é composta de vários equipamentos da saúde, o CAPS, os consultórios de ruas, também têm os hospitais gerais e também a Comunidade Terapêutica. Então hoje existe um leque de serviços de atenção a esse público que sofre com as drogas”, enfatiza Calmon.


Questionado sobre as dificuldades e os desafios, o presidente destaca que o reconhecimento legal foi o primeiro obstáculo que precisou ser resolvido. “Então há dez anos as Federações no Brasil se uniram e fundaram a Confederação Nacional (Confenact) que ela ficou sendo a interlocutora junto ao Governo Federal. Então nós tivemos dez anos de luta, e, na busca de reconhecimento desse serviço”, ressalta. Em 2015, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD) reconheceu as CTs por meio da Resolução nº 1 de 2015, que ficou conhecido como o marco regulatório. Já em 2019, o marco legal veio após o presidente Jair Bolsonaro sancionar a Lei 13.840/2019, que especifica as CTs. “Então, a importância hoje desta luta foi para esse reconhecimento”, comemora.


Agora a Confenact continua lutado para cumprir essa legislação, com melhores estruturas, capacitação de equipes, além de precisar seguir todas as disposições legais que refere ao seu funcionamento e o presidente explica que “não é somente uma regulamentação do serviço, mas também várias normas e regulamentações que diz respeito a própria associação, que ela se forma, constituição jurídica dela, todas as regulamentações lá dos municípios, de funcionamento, de sanitária. Muitas Comunidades Terapêuticas no Brasil fazem um excelente trabalho, são Comunidades Terapêuticas de excelência, mas precisamos trabalhar para que todas as Comunidades Terapêuticas sejam eficientes e tenham bons resultados”.


Cabe destacar que a Confederação vem trabalhando junto ao Governo Federal para desenvolver ações de financiamento dessas capacitações e das vagas nas Instituições. Devemos destacar um fato importante que, aconteceu no ano passado, as Comunidade Terapêuticas foram inseridas na Nova Política Nacional sobre Drogas, ou seja, isso possibilita o investimento nas unidades para, por exemplo, reformas e estruturação. “Então a Confenact também tem trabalhado muito junto aos governos estaduais para que eles possam se alinhar ao governo federal, que já existe uma Política Nacional sobre Drogas e possibilitem também lá nos estados o financiamento das Comunidades Terapêuticas existentes”, esclarece Calmon.


Ele ainda celebra mais uma conquista, no mês passado, que é a regulamentação do “acolhimento de adolescentes em CTs, respeitando o ECA, com algumas condições especiais, algumas exigências quanto aos espaços, quanto aos profissionais, mas podendo também estar no mesmo ambiente que os adultos”. Calmon comenta que até hoje muitas famílias pedem ajuda para salvar tanto os usuários de drogas adolescentes quanto os que estão em fase adulta e faz um questionamento, “o que nós vamos fazer com ele? Deixá-lo morrer na rua? As famílias gritam, pedem ajuda, solicitam que nós o acolhêssemos e as Comunidades Terapêuticas, grandes partes delas nesses anos foram acolhendo os dependentes químicos adolescentes e com resultados, recuperando-os em todo o Brasil”.


Maconha não é remédio, vem para destruir as famílias


Está tramitando no Congresso Nacional a nova PL 399/2015 que possibilita, além de uso medicinal, a plantação da maconha para uso recreativo, o que possibilita o aumento no número de tráfico de drogas, na marginalidade, bem como, dependentes químicos. O governo federal vem trabalhando em ações conjunta com várias entidades e sociedade civil para que esse projeto não seja aprovado. Perguntamos a opinião sobre a possível aprovação, Calmon disse que a PL abre margem para utilizar a maconha na fabricação de qualquer produto, como “bolo, algodão doce, chocolate, brinquedos para as crianças tudo com figurinha de maconha, é um absurdo. Então, as nossas crianças aí vão poder comer doces, vão comer bolachas, né, picolés a base de maconha. É um absurdo isso”.


O presidente alerta que também há risco para a produção de produtos fitoterápicos, pois “qualquer pessoa com uma receita médica pode ir lá e comprar a maconha. Então nós vamos ter médicos aí especializados a emitir receitas aí para pessoas poder comprar a maconha. Mas atrás disso aí, nós vemos um grande interesse financeiro, existem grandes empresas canadenses, já se estabelecendo aqui no Brasil aguardando essa liberação”. Ele evidencia que apenas o canabidiol é usado para remédios, o que derruba a tese que a maconha é benéfica para a saúde. “Portanto, eu vejo muito perigoso a aprovação da PL 399. Ela vem para destruir as nossas famílias, para destruir as nossas crianças, para destruir o povo brasileiro”.

Fortalecimento espiritual dentro das CTs


E para finalizar, o presidente Adalberto Calmon além de reforçar o compromisso e a reputação que as CTs têm em busca de ajudar ao próximo na recuperação contra as drogas, ele contou um pouco sobre o testemunho de superação de vida com orgulho. “Eu, hoje, posso dizer da minha satisfação de estar como presidente da Confederação Nacional de Comunidades Terapêuticas, representando também a Fazenda da Esperança que resgatou a minha vida, porque eu também me recuperei na Comunidade Terapêutica”. Após o sofrimento de dor e o encontro com as drogas, como o álcool, ele teve a chance de escrever uma nova história dentro de uma Comunidade Terapêutica.


“Passei por outros serviços da saúde pública, psicólogos, mas não deram resultados. Aí quando eu estava no fundo do poço, até com várias tentativas de suicídio, a Fazenda Esperança me resgatou e pude ver o grande trabalho que foi feito, que é feito, resgatando pessoas, resgatando vidas, foi o que me motivou também deixar tudo, deixar meu trabalho profissional em função dessa causa.

Hoje eu dedico a minha vida inteiramente a este trabalho da Fazenda Esperança. Hoje como presidente da Confenact tentando levar para as Comunidades Terapêuticas, uma, um fortalecimento em todos os seus sentidos, tanto o fortalecimento nas suas estruturas, como também o reconhecimento junto ao governo”, garante Calmon.


E afirma que “estar com os jovens, estar presente com eles, isso dá uma força muito grande em qualquer lugar que eu esteja. Se estou em Brasília, se estou em algum estado, tudo o que eu estou fazendo é para o bem daquele que estar em recuperação e a espiritualidade que a Comunidade Terapêutica tem, a presença de Deus, que sempre nos fortalece, sempre recarrega as nossas energias para enfrentar esse mundo tão complicado e tão difícil, às vezes, que se apresenta”.


Ascom ImagineAcredite

  • Instagram ícone social
  • LinkedIn ícone social
  • Twitter ícone social

©2019 por Imagine.Acredite