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  • Sérgio M. Botelho Júnior

Comunidades Terapêuticas ainda têm que combater estereótipos, diz presidente da FENNOCT

Apesar de todo o reconhecimento dado pelo governo Jair Bolsonaro às comunidades terapêuticas instaladas no Brasil, por meio da nova Lei Sobre Drogas e da Nova Política Nacional Sobre Drogas, em vigor desde o semestre passado, o presidente da Federação do Norte e Nordeste das Comunidades Terapêuticas (FENNOCT), Célio Barbosa, disse ao Portal Imagineacredite que a luta dessas instituições do terceiro setor agora é de combate a estereótipos.


Segundo ele, embora seja um profundo elogiador das ações do governo federal neste campo, ainda é preciso pensar nas políticas públicas nacionais. Uma vez que tais ideias preconcebidas têm feito às comunidades terapêuticas sofrerem, sobretudo, no que se refere às ações da saúde do sistema antimanicomial, que – em sua ótica – buscam construir a imagem de que tais instituições são prestadoras de um desserviço aos dependentes químicos.


“Então a minha luta e a luta de todos nós é ainda mostrarmos que a qualidade do nosso atendimento supera muitas ações governamentais. Não estamos aqui para disputar lugar, nem ser melhor do que ninguém, mas as ações das comunidades terapêuticas têm grandes resultados e isso incomoda, porque não usamos medicamentos e trabalhamos com a palavra de nosso senhor Jesus Cristo, com o amor, com a retidão, com a disciplina, com a organização e com a convivência entre os pares. Então é primordial respeitar e viver junto”, desabafou Barbosa.


Na visão dele, enquanto ex-dependente químico, fundador e presidente da Fazenda da Paz e da FENNOCT, as comunidades terapêuticas não deveriam ser alvos de pensamentos desconstrutivos, pois são capazes de promover “o resgate completo da vida”. “Então sinto um desconforto quando as pessoas me taxam como manicômio, como desserviço, isso é muito errado. Por isso, temos que mostrar e lutar muito pelo que fazemos! Eu acredito na comunidade terapêutica, eu vivo a comunidade terapêutica, eu acredito na sobriedade do homem e vivo a palavra do senhor 24 horas por dia. Então temos que fazer muito e eu confio muito na Confenact, e na frente da federação buscamos humanizar o tratamento dado aos dependentes químicos”, completou.


Questionado sobre os acertos do governo Bolsonaro no tocante as CTs, Célio lembrou que foi ele o responsável por dar a atenção, nunca antes dada, a essas instituições, quando acolheu a Carta do Piauí, fruto de um trabalho com as federações FENNOCT, FEBRACT, FETEB, CRUZ AZUL, na sede da Fazenda da Paz. “A CONFENACT participou diretamente das mudanças e da construção desta política [Política Nacional Sobre Drogas] e pela primeira vez fomos ouvidos e reconhecidos como o trabalho de excelência”, comemorou.


Célio Barbosa dedica sua vida ao resgate de vidas


Dono de uma postura típica de paizão, Célio Barbosa é um ex-dependente químico que resolveu dedicar a sua vida ao resgate de outros milhares de jovens perdidos no mundo das drogas. Por isso, há 35 anos, ele milita na área das políticas públicas voltadas ao terceiro setor com ênfase nas comunidades terapêuticas. Tanto é que ele foi o responsável por fundar, em 1994, a Fazenda da Paz, considerada a primeira comunidade terapêutica do nordeste brasileiro.


Ela iniciou seus trabalhos em uma casa de palha e atualmente conta com uma estrutura capaz de acolher 330 homens e mulheres afogados no mundo das drogas. E lá, eles são imersos num tratamento terapêutico que tem a convivência entre os pares, a espiritualidade e o trabalho como seu tripé, respeitando sempre o direito de ir e vir dos seres humanos. Sem contar que a obra busca – gratuitamente - elevar a escolaridade e qualifica-los profissionalmente, por meio de cursos profissionalizantes, e despertar o amor ao próximo.


“A Fazenda da Paz acredita que viver em família é o mais importante no tratamento do dependente químico e com essa filosofia vivenciamos a convivência entre pares com a liberdade do próximo, pois só podemos ter a verdadeira liberdade quando respeitamos a do próximo. Mantemos nossa essência e a cada dia acrescentamos algo que venha a nos ajudar a ajudar ao próximo”, destacou Célio frisando que a obra é uma referência em CT no Brasil.


Diante disso, ele afirma que a Fazenda da Paz não é sinônimo de orgulho, mas de alegria por ter participado do início da obra com o Padre Pedro Balzi, Dom Miguel e leigos da Arquidiocese de Teresina. “Vivenciar o trabalho em comunidade terapêutica é minha missão de vida”, salienta.


E foi com esta missão que ele fundou a FENNOCT, entidade que tem como objetivo ajudar as CTs com capacitação e assessoria técnica. “Hoje, nosso maior desafio é ajudar as pequenas comunidades a se tornarem autossustentável, com credibilidade e com o reconhecimento do seu trabalho. [...] Não tenho como falar se correspondo as expectativas dos outros, mas tenho a certeza que faço o meu melhor sempre em prol das CTs no Brasil”, comenta.


Além disso, ele informou que federação tem trabalhado para combater as falsas comunidades terapêuticas e seus falsos profetas. “Procuramos ajudar aquelas que precisam de ajuda e também procurando ajuda juntos aos órgãos competentes que façam o trabalho de diferenciar o que é Comunidade Terapêutica dos outros trabalhos existentes”, encerra Barbosa.


Vale lembrar que com a publicação da nova Política Nacional Sobre Drogas, as comunidades terapêuticas passaram a ser coadjuvantes no trabalho de resgate, promoção e reinserção social das vidas afetadas pelo flagelo da dependência química.


Por Sérgio Botêlho Júnior


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