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  • Sérgio M. Botelho Júnior

Ações do GDF e Sociedade Civil mostram a importância da reinserção social


Os órgãos do governo do Distrito Federal em parceria com a sociedade civil estão realizando uma ação conjunta para atender cerca de 300 pessoas em situação de rua,

até o dia 4 de setembro, no Setor Comercial Sul.


Segundo o subsecretário da Defesa Civil, Coronel Alan Araújo, “a perspectiva para a

população de rua nesse momento é ofertar a eles todos os serviços que nos pediram

há um tempo”. O evento está dentro do normativo de segurança, com atendimento

com álcool em gel e máscara.


O trabalho de integração conta com as secretarias da Segurança Pública, Defesa Civil, Saúde, Trabalho, Mulher, Justiça e Social. O acolhimento é facultativo e conta com o apoio do Central de Atendimento Permanente e Emergência (CAPE), Comunidades Terapêuticas (CTs) e Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). Há ainda um consultório de rua para encaminhamento médico e testes do covid-19.


Antes de iniciar o evento, o pároco da Igreja Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Mercês, Frei Rogério Soares, frisou que “nós, sociedade civil, Igreja e Governo temos o mesmo interesse: que as pessoas tenham condições de viver melhore não nas calçadas, então hoje é um dia simbólico com tendas, O dia simboloco com as tendas, que oferecem os serviço do Estado e nosso, sociedade civil, o importante é a causa: que as pessoas tenham dignidade e encaminhamento. Quem faz somos todos nós. Que a entrega seja de todos”.


A Primeira-Dama e secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha, destaca que o grande desafio é mostrar o caminho a se seguir na vida, “existe sim os

programas assistenciais, diversos programas que podem conceder direitos e benefícios. Mas essas pessoas precisam de muito mais. Precisam ter sonhos, ter vontade de se capacitar, de se inserir no mercado de trabalho”.


Segundo a primeira-Dama, “muitas das pessoas que hoje vivem em situação de

vulnerabilidade e estão na rua sofrem com algum vício seja de drogas lícitas ou ilícitas.

Então, é importante ter um tratamento médico, uma rede de apoio. As pessoas que

têm lar, tem para onde voltar e quem recorrer. As pessoas que estão na rua não têm

para onde voltar e por conta disso não conseguem sonhar. E a falta de sonho, leva a pessoa a viver nessa prisão deoportunidades. É preciso mais do que doar, é preciso

ensinar a pescar”.


Para a secretária de Estado de Justiça e Cidadania do DF (Sejus), Marcela Passamani, “O importante é a pessoa se sentir acolhida e amparada pelo Estado nesse momento e é o que estamos fazendo. Nós queremos lidar com o ser humano na sua plenitude e dar opção. Existe uma oportunidade e a gente está dando oportunidade de escolha, que é a nossa obrigação como Estado e aqui nós estamos fazendo nosso papel”.


O secretário-executivo de Segurança Pública, delegado Júlio Ferreira, enfatiza que são importantes os eventos sociais com a atuação do governo em prol de pessoas em

situação vulnerabilidade. “Hoje a gente tá aqui com parte do secretariado do primeiro

escalão do governo do Distrito Federal, que está com todo o seu empenho e toda a

sua força de trabalho, dedicada a esse esforço de tentar mudar essa situação, de

tentar resolver e dar um encaminhamento que não é simples, é complexo, sendo que

essa comunidade requer uma solução para cada caso, mas esse esforço conjunto

possibilita que a gente possa dar essa série de encaminhamento, seja para

acolhimento, seja para distribuição de alimentação ou para moradia, então esse

esforço conjunto é importante por isso”.


A administradora do Plano Piloto, IlkaTeodoro, revela que o SCS foi contemplado para o projeto de revitalização Viva Centro e o desafio encontrado é a reinserção social de moradores em situação de rua. “É a região que recebe o maior fluxo de pedestres diariamente, cerca de 200 mil pessoas circulam todos os dias e é uma área que ficou muito tempo abandonada pelo Poder Público e a gente enfrenta dificuldades típicas de centros urbanos. Tem a população em situação de rua, uma série de serviços e que o Estado não tem conseguido prestar ao longo desses anos e nessa gestão, temos feito um esforço bem grande para suprir essa deficiência histórica”.


Hoje, segundo a assistente social no Instituto Cescer, Glaci, uma das maiores dificuldades, que a instituição encontra para acolhimento, é conseguir articular com a rede e enfatiza que para um tratamento terapêutico é necessário ação conjunta entre Estado e CTs. “Nós temos quatro unidades e essa unidade que a gente vai tratar esse público é o centro de triagem que a gente abriu recentemente em Taguatinga, que precisa de um atendimento especializado nesse processo de saída das ruas.”


O fundador da CT Salve a Si, Henrique França, ex-morador de rua, lamenta que “as pessoas infelizmente vivem à margem da sociedade e acabam entrando em situação de vulnerabilidade extrema, vindo para rua. Quando entram nessa situação, se sujeitam a todo tipo de sofrimento, porque aqui é a última curva do rio, daqui vão parao óbito, para o presídio, para um estado desofrimento de desmoralização muito grande”.


Segundo França, a solução é “mais reconhecimento do trabalho para prevenção, prevenir é melhor que remediar, como para melhorar a condição da relação do Estado com as comunidades terapêuticas. A pessoa com dependência química na rua não morre de overdose, a maior taxa é de morte por violência. O Estado fortalecendo o trabalho das comunidades terapêuticas ajuda muito. Se não melhorar o que já existe e não ofertar mais porta de saída para a população de rua, a violência crescente vai aumentar e vamos continuar sendo refém do sofrimento dessas pessoas, o tanto que roubam e prejudicam a si e a sociedade, em vez de procurar o culpado para isso, deve-se procurar a solução.


Barba, ex-morador de rua, viu sua vida mudar por pessoas voluntárias que não desistiram de o transformar e hoje ele trabalha com esse abortamento para conseguir redefinir a história de vida de pessoas que estão situação de fragilidade. “A gente não combate a pessoa em situação de rua. A gente tem que combater o tráfico. Aqui existem seres humanos, essas pessoas precisam ser atendidas. Se querem fazer desocupação, que o Estado chegue aqui com moradia, aluguel, para que possa atender e com trabalho, aqui é um espaço que tem pessoas há muito tempo e acreditamos que só com trabalho e com moradia podemos ajudar quem aqui está”.


Ele ainda completa que essas pessoas “são seres humanos que aqui vivem por uma

questão ou outra doença, drogadição, alcoolismo, que se perderam, mas essas

pessoas podem encontrar seu caminho, eu sou prova disso. Para mim é um motivo de

muita alegria encontrar essa galera que está aqui que vinha trazer comida para mim

em 2010. O problema aqui é o crack, é a droga. Que todos nós aqui possamos ver

nossos irmãos em situação de rua como ser humano e nem como um drogado ou

alcoólatra”.


Ascom ImagineAcredite





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